sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Resolução do MEC recomenda realização de concurso para funcionário da educação a cada quatro anos

O ministro da Educação, Fernando Haddad, homologou na quarta-feira (4) uma resolução que recomenda aos governos estaduais, municipais e federal a realização de concursos para preencher os quadros de funcionários das escolas sob sua responsabilidade a cada quatros anos. O objetivo é que, em dez anos, todos os trabalhadores da educação básica pública sejam servidores públicos.

Para Maria Izabel Azevedo Noronha, relatora do documento no Conselho Nacional de Educação (CNA), a resolução é importante para barrar a crescente terceirização desses profissionais nas instituições de ensino. "A escola tem uma especificidade de trabalhar com seres humanos, não dá para trocar de funcionário todo ano [como acontece com os terceirizados]. Outra questão é: quando você tem um funcionário terceirizado, ele presta contas à empresa e não ao conselho do Estado, que é o gestor do projeto político-pedagógico. [Com a resolução] você faz com que sejam prestadas contas ali. Também é uma questão de transparência."

O documento também estabelece, entre outros pontos, que os Estados instituam plano de carreira para os funcionários técnicos e administrativos das instituições de ensino. "O objetivo é que eles também sejam concebidos como educadores, no sentido amplo, pois na escola todos tem a intencionalidade de educar", afirma Maria Izabel.

Meta possível - A resolução nº 5 da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação foi instruída pelo parecer nº 9, homologado no dia 30 de julho. Ela não tem força de lei, já que os entes federados têm autonomia para gerir seu processo educacional.

Para Roberto Franklin de Leão, presidente do Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, as diretrizes do documento são vistas como "meta possível", mas que "vai demandar muita mobilização e debate para mudar a concepção de vários gestores e mostrar que a contratação é fundamental para uma educação pública de qualidade".

A resolução surge a após lei federal 12.014/2009, de autoria da senadora Fátima Cleide (PT/RO), que altera o artigo 61 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), reconhecendo "trabalhadores em educação, portadores de diploma de curso técnico ou superior em área pedagógica ou afim" como "profissionais da educação básica".

FONTE: PORTAL UOL

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Na volta às aulas, Bahia comemora bom desempenho no Ideb

Além de rever os amigos e dar continuidade aos conteúdos, os mais de um milhão de alunos da rede estadual voltaram às aulas, nesta segunda-feira (5), com um motivo a mais para comemorar. A Bahia superou as metas do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), do Ministério da Educação, no indicador geral do Estado (redes estadual, municipal e privada).

Os dados foram divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e apontaram que, no ensino médio da Bahia, a nota prevista para 2009 ultrapassou a meta de 3,1 e registrou 3,3. A marca também supera a projeção para 2011, que é de 3,2.

No ensino fundamental o resultado de 3,8 conseguido nas séries iniciais (1ª a 4ª série) superou a meta do ano passado, que era de 3,1, e atingiu a meta prevista para 2013 (3,8). No entanto, nas séries finais (5ª a 8ª série), a meta era 3,0 e a Bahia também conseguiu ultrapassar e marcou 3,1.

A coordenadora de avaliação da Secretaria Estadual de Educação, Diana Pipolo, disse que o Ideb é um indicador de resultados e a composição dos índices é feita a partir dos dados da aprovação mais os da aplicação da Prova Brasil, que é uma avaliação aplicada a cada dois anos em Língua Portuguesa e Matemática. “As notas dos estudantes viram uma média que, associada aos dados de aprovação internos da escola, compõem o Ideb - um indicador que aponta informações de dentro e fora da escola”.

Além do indicador geral da Bahia, que inclui o desempenho de todas as redes de educação, a estadual também conseguiu superar a meta prevista pelo Ideb para o ensino médio, que tinha como meta 2,8 e atingiu 3,1. Para as séries iniciais do ensino fundamental (1ª a 4ª série), atingiu a marca de 3,2 com uma meta de 2009 de 3,0. Nas séries finais (5ª a 8ª série) fechou na meta de 2,8.

Para o secretário estadual da Educação, Oswaldo Barreto, o bom desempenho é reflexo dos investimentos na área. “Certamente, temos muito a caminhar, mas o fato é que o alcance e a ultrapassagem das metas nos deixa muito felizes, pois houve um crescimento, uma melhoria que refletem os trabalhos que vêm sendo desenvolvido no estado pelo Governo do Estado e pelos municípios”.

Conforme Barreto, os dados servirão para aperfeiçoar ainda mais os resultados do ensino público na Bahia. “Já criamos um grupo para analisar os dados de cada uma das nossas escolas para que possamos, efetivamente, melhorar ainda mais a qualidade da nossa educação”. Para garantir o envolvimento das prefeituras, por meio das suas secretarias da Educação, o governo pretende dar continuidade ao Programa de Apoio à Educação Municipal (Proam).

Os resultados divulgados pelo MEC mexeram com a comunidade escolar, dando um novo ânimo aos alunos e professores. A vice-diretora do Colégio Estadual de Aplicação Anísio Teixeira, Ângela Meirelles informa que, para alcançar as metas, a instituição segue à risca as orientações da Secretaria Estadual de Educação.

“Nós seguimos toda e qualquer orientação da secretaria, dos órgãos governamentais que trazem para nós toda a contribuição, a exemplo dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional que trata de todas essas questões referentes à Educação”, disse Meirelles.

Ângela argumenta que a unidade escolar também auxilia os pais sobre o comportamento dos jovens. “Atraímos nosso aluno, por meio da sensibilização, ou seja, ele precisa acreditar que essa escola é um lugar onde ele vem, é acolhido, respeitado, onde é único. Também fazemos o papel de educadores pais, porque eles precisam sentir que existem valores imprescindíveis para o crescimento. Trabalhamos conteúdos de relevância social como meio ambiente, orientação sexual, drogas, profissionalização e cultura afro”.

Alunos encontram escolas reformadas

Para garantir que os alunos tenham um ano letivo sem contratempos, a secretaria concluiu a reforma de 167 escolas, sobretudo de telhado, redes elétrica e hidráulica, sanitários e pintura. Em Itabuna, o Estado investiu R$ 1 milhão para a reforma total dos colégios estaduais de Itabuna e D. Amélia Amado e Maria de Lourdes Veloso.

Em Anagé, o Colégio Estadual Renato Viana também foi totalmente recuperado a um custo de R$ 661 mil. No município de Candeias, a Escola Ouro Negro recebeu investimentos de R$ 73 mil para reforma de cobertura, esquadrias, pintura e revisão geral das instalações elétricas e hidráulicas. Em Salvador, entre os beneficiados, os colégios Tereza Helena Mata Pires, no bairro do Lobato (R$ 80 mil) e o Barros Barreto, em Paripe (R$ 65,2mil).

Na área de construções, a prioridade do governo estadual tem sido atender à zona rural, nos estabelecimentos instalados nos assentamentos de reforma agrária, nas comunidades quilombolas e nas comunidades indígenas.

Os estudantes retornaram empolgados para as a segunda metade do ano letivo. Helyenei Evangelista, 18 anos, é um deles. Estudante do 3º ano noturno, o jovem participa das atividades do colégio em horários extras. “Minha expectativa é sempre crescer. Estar aprendendo cada dia mais. Estou à procura de um estudo para ser alguém amanhã. Gosto de estudar. Se eu pudesse ficaria aqui o dia todo. Já venho pela manhã ou pela tarde. Estou aqui pelo ensino e pelos professores. Nós aprendemos dialogando”.

Flávio Henrique da Silva também tem uma meta. Quer ingressar na universidade. “Quero concluir o meu ensino médio e garantir uma vaga em uma faculdade. Quero ser jornalista ou professor”. Além de gostar da escola, Mair Lúcia não nega que estava com saudade da turma. “É sempre bom voltar às aulas. Estudo nessa escola há 4 anos. Adoro. Aqui tem muitas pessoas legais, todo mundo fala com todo mundo. É muito bom”.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Definidos critérios de avaliação para promoção de docentes

Definidos critérios de avaliação para promoção de docentes

O desempenho dos professores em sala de aula e os resultados obtidos dentro da proposta pedagógica de sua escola são os dois quesitos fundamentais que serão avaliados durante o processo para promoção horizontal na carreira de professor e coordenador pedagógico da educação básica do Estado da Bahia.

Os critérios de avaliação foram definidos, com base na Lei nº 10.693/2008, por representantes das secretarias estaduais da Educação, Administração e das Relações Institucionais e do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (APLB), após sucessivas reuniões. O resultado foi a regulamentação por meio do Decreto nº 12.007/2010.
A avaliação leva em conta, principalmente, a contribuição de cada professor para a melhoria da qualidade de ensino na rede pública estadual. Todos os professores em regência, coordenadores pedagógicos, diretores e vice-diretores que integram o quadro efetivo do Magistério Público da educação básica do Estado da Bahia podem se candidatar ao benefício. Cada professor pode optar pela avaliação na área de formação ou na área de atuação.
Resultados – Vale destacar também a avaliação institucional. “O profissional é avaliado individualmente e também no seu contexto de trabalho, considerando o seu compromisso com a instituição e com os resultados alcançados pelos estudantes”, afirma a superintendente de Recursos Humanos da Secretaria da Educação, Cláudia Cruz.
A Secretaria da Educação assegura o efeito financeiro do benefício para maio/2010, independente da data de conclusão da avaliação referente ao ano de 2009, informando ainda que em 2010 será realizada avaliação referente a este ano, com efeito financeiro para maio de 2011. No momento, a Secretaria está realizando os procedimentos para contratação de empresa para realização das avaliações. Dúvidas e esclarecimentos devem ser encaminhadas para o e-mail comissaoavaliacao@sec.ba.gov.br.
Confira os critérios da avaliação referentes ao ano de 2009:
Avaliação Individual
Avaliação Institucional
Peso - 8,0
43 questões objetivas
2 questões abertas
Conteúdo – Conhecimentos específicos e pedagógicos
Peso – 2,0
Será considerado o índice de movimento e rendimento declarado pela unidade escolar no Censo Escolar de 2008, publicados no portal do INEP (www.inep.gov.br)
Média final para classificação: 6,5

As inscrições serão disponibilizadas no portal da Educação da Bahia (www.educacao.ba.gov.br) a partir do dia 18/05/2010.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

O Professor Está Sempre Errado

O Professor Está Sempre Errado
Jô Soares
O material escolar mais barato que existe na praça
é o professor!
Quando…
É jovem, não tem experiência.
É velho, está superado.
Não tem automóvel, é um coitado.
Tem automóvel, chora de “barriga cheia”.
Fala em voz alta, vive gritando.
Fala em tom normal, ninguém escuta.
Não falta às aulas, é um “Caxias”.
Precisa faltar, é “turista”.
Conversa com os outros professores,
está “malhando” os alunos.
Não conversa, é um desligado.
Dá muita matéria, não tem dó dos alunos.
Dá pouca matéria, não prepara os alunos.
Brinca com a turma, é metido a engraçado.
Não brinca com a turma, é um chato.
Chama à atenção, é um grosso.
Não chama à atenção, não sabe se impor.
A prova é longa, não dá tempo.
A prova é curta, tira as chances do aluno.
Escreve muito, não explica.
Explica muito, o caderno não tem nada.
Fala corretamente, ninguém entende.
Fala a “língua” do aluno, não tem vocabulário.
Exige, é rude.
Elogia, é debochado.
O aluno é reprovado, é perseguição.
O aluno é aprovado, “deu mole”.
É, o professor está sempre errado mas,
se você conseguiu ler até aqui,
agradeça a ele!

segunda-feira, 8 de março de 2010

Universidade para Todos amplia acesso de estudantes da rede pública ao ensino superior

Universidade para Todos amplia acesso de estudantes da rede pública ao ensino superior
5/3/2010

O Programa Universidade para Todos amplia o acesso de estudantes da rede estadual ao ensino superior, criando condições igualitárias de disputa às concorridas vagas. Um bom exemplo disso é o do estudante Kaique Novais, 17 anos. Oriundo do Colégio Estadual Polivalente de Itajuípe, ele foi aprovado em quinto lugar no curso mais concorrido da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), o de medicina. Com muito estudo, esforço e dedicação, ele mostrou que ingressar no curso mais disputado nas universidades do estado pode ser realidade também para os alunos da rede pública.
Kaique Novais foi um dos 21 mil estudantes atendidos, em 2009, pelo programa de pré-vestibular gratuito do governo do estado. "Antes não acreditava que iria passar de primeira, mas o curso foi muito bom, os professores e o conteúdo foram de qualidade e esclarecedores. Estudava pela manhã e participava das aulas do pré-vestibular à noite. Se engana quem pensa que o que é público não presta, é muito bom sim, temos que acreditar, pois vale a pena", estimula Kaique Novais, que já faz planos para, após a graduação, se especializar em neurologia.
Se no passado o ingresso de estudantes da rede pública na universidade pública pareceria um sonho distante, agora o Universidade para Todos mostra que é possível seguir em frente com os sonhos. Para a mãe de Kaique, Rita Novais, a iniciativa do governo mudou a vida da família. "Se não fosse este curso era capaz dele parar de estudar. Hoje, ele tem um futuro promissor", avalia.

Avanços ¿ Enquanto em 2006 o programa atendia apenas a estudantes de 31 municípios, visando democratizar o acesso ao ensino superior, o governo do estado levou o programa, em 2009, a 104 municípios de 23 dos 26 Territórios de Identidade. Este ano deve receber um novo reforço, passando a atender a 130 municípios.
De acordo com o coordenador de Educação Superior da Secretaria da Educação, Clóvis Caribé, o Universidade para Todos tem conseguido melhorar o desempenho dos alunos do 3º ano do ensino médio, elevar a autoestima dos cursistas e de seus familiares, incentivo à produção acadêmica e o favorecimento da inserção do graduando (monitores) no mercado de trabalho.
O Universidade para Todos tem o objetivo de facilitar o acesso de alunos da escola pública às universidades, sendo parceiras as quatro universidades estaduais: de Santa Cruz (Uesc), de Feira de Santana (Uefs), do Sudoeste Baiano (Uesb) e a Universidade do Estado da Bahia (Uneb), além da Universidade Federal do Recôncavo (UFRB). O pré-vestibular funciona dentro das unidades escolares, o que tem estimulado a participação e continuidade nos estudos.

Vitória em família - Dupla vitória aconteceu no município de Uibaí, localizado na região de Irecê. Mãe e filha cursaram o Universidade para Todos e foram aprovadas na Universidade do Estado da Bahia (Uneb).
"Me estimulou muito o fato do curso estar na minha cidade e poder ter feito enquanto cursava o terceiro ano. Não quis perder tempo, tinha pressa de entrar logo na universidade. Me sinto feliz, valeu o esforço", ressalta a ex-aluna do Colégio Estadual Manoel Levi, em Uibaí, Angra Luane Rosa, 16. Ela foi aprovada no curso de Direito da Uneb de Jacobina.
Já para a mãe de Angra, Elna Nunes, 36, que deixou de estudar há 16 anos, quando a filha nasceu, foi uma oportunidade de realizar um sonho. "É de muito valor para nós que moramos distantes da capital poder ter uma universidade próxima. Antes era difícil, tudo era longe, agora não paro mais. Tenho orgulho de ter participado de um programa gratuito e de qualidade com excelentes professores", declara Elna Nunes, 36, aprovada em pedagogia na Uneb de Irecê.

Fonte: ASCOM - SECRETARIA

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Governo dobra número de alunos em tempo integral

ANGELA PINHO
LARISSA GUIMARÃES
da Folha de S.Paulo, em Brasília

No momento em que avaliações internacionais colocam o Brasil nas últimas colocações no ensino de português, matemática e ciências, o governo aposta na educação integral para reverter o quadro.

Dez mil escolas das redes estaduais e municipais, reunindo 3 milhões de alunos --mais que o dobro deste ano (4.400 escolas, com 1,3 milhão de estudantes)--, terão três horas a mais de estudo a partir de 2010.

O projeto do Ministério da Educação tem dois desafios: garantir que mais horas na escola se traduzam em melhor aprendizagem; e não repetir projetos anteriores que fracassaram.

Pelo programa, as escolas recebem verbas adicionais para oferecer mais atividades em um turno extra -a jornada escolar passa de quatro para sete horas por dia. O acréscimo pode ser de esporte a horta, desde que haja ao menos alguma aula com objetivo estritamente pedagógico, como reforço escolar.

As atividades ficam por conta de monitores voluntários, que recebem de R$ 60 a R$ 300.

O valor motivou troca de farpas entre o governo Lula e a administração Gilberto Kassab (DEM) em São Paulo. Para o secretário municipal da Educação, Alexandre Schneider, os recursos do MEC não cobrem os custos da ampliação do horário. "Ele pode complementar [o pagamento], à vontade", reagiu André Lázaro, secretário do MEC responsável pelo ensino integral.

Paliativo

Não basta, porém, ficar mais horas na escola se a qualidade do ensino deixa a desejar. Em tese de doutorado defendida na USP, a pesquisadora Ana Maria de Paiva Franco mostrou que crianças que estudam mais de cinco horas na rede privada têm melhores notas, mas na pública esse efeito não ocorre.

Para ela, isso acontece porque, no setor privado, os professores são mais cobrados a apresentar resultados.

Por outro lado, defensores da educação integral afirmam que, com ela, a escola pode ajudar a suprir as deficiências culturais do ambiente familiar.

Para especialistas, é necessário, além de equipe qualificada, estrutura para não repetir erros de projetos anteriores.

"É preciso não esquecer o fracasso do projeto apressado e salvacionista dos Cieps, implantado no governo Leonel Brizola [1983-86]", avalia a professora da PUC-Rio Zaia Brandão. "Quando perceberam que perderiam as eleições, aceleraram as construções e desmontaram o que poderia ter sido --e foi em alguns deles-- um excelente projeto experimental."

Os Cieps inspiraram os Ciacs, do governo Fernando Collor (1990-92). O então presidente prometia implantar, em 1992, 640 unidades do Ciac. O número não chegou a 500.

O projeto depois mudou de nome: Caic. A Folha visitou a primeira escola do projeto, aberta em 1991, o Caic Madre Paulina. Não há ensino integral desde 1998, as salas são abarrotadas de alunos e uma das poucas "atividades extracurriculares" é uma sala de vídeo.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

País é o que mais desperdiça aula com bronca

Docentes de escolas no Brasil gastam 18% do tempo das classes para manter disciplina; pesquisa abrangeu 23 países

Bulgária é o país onde os professores conseguem aproveitar melhor o tempo das aulas, seguido por Estônia e Hungria

ANTÔNIO GOIS
DA SUCURSAL DO RIO

Os professores brasileiros são os que mais desperdiçam com outras atividades o tempo que deveria ser dedicado ao ensino. No período em que deveriam estar dando aula, eles cumprem tarefas administrativas (como lista de chamada e reuniões) ou tentam manter a disciplina em sala de aula (em consequência do mau comportamento dos alunos).
A conclusão é de um dos mais detalhados estudos comparativos sobre as condições de trabalho de professores de 5ª a 8ª séries de 23 países, divulgado ontem pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). A pesquisa foi feita em 2007 e 2008.
O resultado não surpreendeu Roberto de Leão, presidente da Confederação Nacional de Trabalhadores em Educação.
"Não li a pesquisa, mas é fato que muito do tempo do professor é roubado por tarefas que não deveriam ser dele. Ele precisa muitas vezes fazer a função de psicólogo, pai ou assistente social, já que todos os problemas sociais acabam convergindo para a escola."
Mozart Neves Ramos, presidente-executivo do movimento Todos Pela Educação, conta que, quando foi secretário de Educação em Pernambuco, vivenciou isso na prática.
"Fizemos uma pesquisa com o Banco Mundial que mostrou que boa parte do tempo do professor era para resolver questões que deveriam ser de responsabilidade de outros profissionais. Mas também detectamos que se perdia tempo com o professor falando de outros assuntos, em vez de tratar do conteúdo daquela disciplina."
O relatório da OCDE mostra que a maioria (71%, maior percentual registrado) dos professores brasileiros começou a dar aulas sem ter passado por um processo de adaptação ou monitoria. A média dos países nesse quesito é de 25%.
Os brasileiros também são dos que mais afirmam (84%) que gostariam de participar de cursos de desenvolvimento profissional. Esse percentual só é maior no México (85%).
As informações foram colhidas em questionários respondidos por diretores e professores de escolas (públicas e privadas) selecionadas por amostra. No Brasil, 5.687 professores responderam ao questionário, aplicado em 2007 e 2008.
Leão e Ramos concordam com o diagnóstico de que poucos professores passam por um processo de adaptação.
"Muitas vezes, o secretário tem que preencher logo as vagas após um concurso para não deixar alunos sem aula. É como trocar o pneu do carro em movimento, quando o ideal seria ter um tempo para preparar melhor o profissional que começará a dar aulas", diz Ramos.
Esse problema se agrava com a constatação na pesquisa de que os professores brasileiros trabalham com turmas com número de alunos (32) acima da média (24). Apenas no México, na Malásia e na Coreia do Sul essa relação é maior.
Eles também têm menos experiência em sala de aula do que a média -só 19% dão aula há mais de 20 anos; a média de todas as nações comparadas é 36%. Estão abaixo da média (89,6%) ainda no nível de satisfação com o trabalho: 84,7%, o quarto menor índice.

Diretores
A pesquisa investigou a visão dos diretores sobre problemas que afetam o aprendizado. O Brasil fica acima da média em questões como absenteísmo de docentes, atrasos e falta de formação pedagógica adequada.
Também foram listados problemas relacionados a alunos, como vandalismo, agressões ou trapaças no momento da prova.
A indisciplina se mostrou um problema mundial. Na média dos países, 60% dos diretores afirmaram ter, em alguma medida, distúrbios em sala de aula provocados pelo problema.
O México tem o maior percentual (72%); o Brasil tem exatamente o índice da média.
Diretores brasileiros foram dos que mais relataram ter pouca ou nenhuma autonomia para contratar, demitir ou promover professores por seu desempenho em sala de aula. No Brasil, só 27% disseram que podem escolher os professores. A média dos países é de 68%.

Fonte: www.folha.com.br

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Na prática, o Brasil não precisa de educação

Que a educação brasileira (pública ou privada) é um lixo, ninguém discute. É interessante perguntar por quê. Exprimindo de outra forma: a demanda por gente qualificada no Brasil é represada porque a educação é de má qualidade ou a educação é de baixa qualidade porque não há necessidade de gente qualificada?

A opinião dominante é a primeira, a qual parte do pressuposto de que as expectativas relativas à educação seriam anteriores a quaisquer outras expectativas.

Tornou-se comum atribuir à educação (ou melhor, à falta dela) toda e qualquer mazela que se identifique na sociedade.

Contingentes alentados de eleitores continuam a votar em ladrões contumazes, representantes de oligarquias jurássicas e assim por diante? É culpa da educação.

Parlamentares usam o mandato para abiscoitar granas diversas, contratar cupinchas às custas do dinheiro público, enviar namoradas, parentes e amigos para lugares aprazíveis? É o nível educacional.

Flanelinhas achacam motoristas e a polícia não faz nada? É certamente problema da educação.

Empresas privadas fazem o que querem do consumidor, que permanece inerte, sem reclamar? É porque a formação do consumidor é precária.

Já que o nível educacional afeta todas as interações sociais, e já que a educação no Brasil é de baixa qualidade, segue-se que se resolveriam inúmeros problemas pelo expediente de melhorar a educação.

Não é bem assim. Educação é decerto uma condição necessária para se desenvolver consciência política, ou noções a respeito dos direitos básicos de um cidadão, incluindo-se o direito de não ser garfado pelo Estado ou por empresas. Em outras palavras, sem educação não é possível nem uma coisa nem outra.

Contudo, educação não é uma condição suficiente para se atingir tais objetivos. Ou seja, não basta educar, ou tentar educar. Outras condições precisam estar presentes, em particular econômicas. Não se pode ser “cidadão” na miséria.

Mas continuemos.

É certamente verdadeiro que seria bom se todo mundo tivesse educação de boa qualidade.

É também verdade que não se obtém educação de boa qualidade sem investimentos.

Daí o senso comum conclui que o problema do Brasil é que não se investe o suficiente em educação. A solução, portanto, seria investir mais.

Poucos se dão ao trabalho de se perguntar quais são as condições que um país qualquer deve cumprir para que possa investir mais em educação.

Diferentemente do que aprecia o senso comum, tais condições não decorrem de “vontade política”, expressão essa, aliás, de pouco significado — “vontade política” se traduz em orçamento; havendo orçamento há “vontade política” e vice-versa.

Nenhuma sociedade investe na educação para que as pessoas sejam felizes, ou para desenvolver a sua cidadania. Faz-se isso caso exista noção clara a respeito de por quê, materialmente, se quer educar. Por menos que seja agradável aos que enxergam na educação uma espécie de missão humanística, na prática educa-se para formar pessoas que, no futuro, ocuparão postos no mercado de trabalho para cumprir funções bem determinadas.

E isso depende de planejamento econômico, não de qualquer outra coisa.

O exemplo cansativamente repetido da Coreia do Sul, que investiu pesadamente em educação, costuma suprimir o fato de que a reforma educacional coreano não aconteceu no vazio, mas se processou como capítulo do programa de desenvolvimento adotado pelo país.

Como o Brasil não tem plano de desenvolvimento, a demanda por educação de boa qualidade não se exprime. Pior ainda, mesmo sem perspectiva de futuro a demanda por pessoas qualificadas é minúscula, porque aqui não se inventa nada, importa-se quase tudo.

Empresas industriais se transformaram em maquiadoras de produtos desenhados fora. Quando se ouve falar da “indústria” tal ou qual, no mais das vezes não é de fato uma indústria, mas uma empresa comercial.

A capacidade brasileira de adicionar valor agregado ao que se produz é irrisória.

O número de patentes brasileiras registradas nos EUA (que é o indicador geralmente aceito para a capacidade de inovação de uma economia) é o mais baixo dos países emergentes, e mais baixo do que muitos subdesenvolvidos.

Com isso, o mercado de trabalho brasileiro demanda vendedores, intermediários e indivíduos capazes de replicar algumas rotinas em processos produtivos e de distribuição formulados em outro lugar. São funções que não têm grande necessidade de educação.

Em outras palavras, a educação brasileira é ruim porque a economia brasileira não tem necessidade real de gente qualificada. Se tivesse, exerceria pressão sobre o sistema educacional.

Enquanto não se compreender que não existe futuro sem desenvolvimento, e se imaginar que se pode construir uma sociedade melhor somente com palavras de ordem bem-soantes mas objetivamente inócuas, como é o caso do discurso dominante sobre educação, permaneceremos na mesma.


Claudio Weber Abramo

Claudio Weber Abramo é diretor executivo da Transparência Brasil. Bacharel em matemática (USP) e mestre em filosofia da ciência (Unicamp). Antes de juntar-se à Transparência Brasil, sua principal atividade profissional foi na área de comunicação e, nesta, no jornalismo. Organizou o livro A Regra do Jogo, do jornalista Cláudio Abramo, seu pai. Colabora freqüentemente com a imprensa e é autor de artigos em publicações especializadas a respeito do tema da corrupção e seu combate.

Fonte: http://colunistas.ig.com.br/claudioabramo/

terça-feira, 12 de maio de 2009

Sabe tudo sobre o novo Enem? Confira 20 perguntas e respostas sobre a prova.


Por que o Enem mudou?
Segundo o MEC, o vestibular seleciona os melhores estudantes e cumpre sua função. Mas com a unificação dos vestibulares pelo novo Enem, o candidato terá mais chances de ingressar em uma universidade, pois poderá se candidatar a diversas instituições simultaneamente, com diminuição de custos - como o de taxa de inscrição e de viagens para realizar os exames. Além disso, o ministério pretende dar orientações mais claras para mudanças no ensino médio, a partir do novo Enem.

Não era possível unificar os vestibulares com o Enem da forma antiga?
Segundo o MEC, o novo formato de prova tem mais capacidade de diferenciar as habilidades dos candidatos e de selecionar os ingressantes em uma faculdade. A prova tem questões com níveis de complexidade diferentes e poderá ser comparada ano a ano, já que seguirá um padrão.

O novo Enem terá quantas questões?
Serão 200 questões objetivas com cinco alternativas. Até o ano passado, eram aplicados 63 testes de múltipla escolha.

Haverá redação?
Sim. A redação está mantida no novo Enem, no mesmo modelo dissertativo - como já ocorria nas edições anteriores.

Quando será aplicado o novo Enem?
A prova está prevista para os dias 3 e 4 de outubro. A divulgação das notas nas questões de múltipla escolha ocorrerá em 4 de dezembro. O resultado final, incluindo a redação, sai no dia 8 de janeiro de 2010, diz o MEC.

O conteúdo cobrado vai mudar?
A prova continuará a avaliar habilidades e competências. O ministro Fernando Haddad já afirmou que o conteúdo cobrado deverá se aproximar um pouco do que é exigido nos vestibulares. O Enem passará, então, a exigir mais conteúdo do que nas edições anteriores.

Quais serão as matérias avaliadas?
Serão avaliadas quatro áreas do saber: linguagens, códigos e suas tecnologias (incluindo redação); ciências humanas e suas tecnologias; ciências da natureza e suas tecnologias; e matemática e suas tecnologias. Cada uma das áreas deverá ter cerca de 50 testes.

Como devo me preparar para o novo Enem?
Segundo o MEC, quem está se preparando para o Enem antigo e para os vestibulares não terá problemas na resolução da nova prova.

Vai ser preciso saber fórmulas de física e química?
De acordo com o MEC, a intenção é diminuir e até mesmo acabar com a "decoreba". As questões deverão fornecer as fórmulas necessárias. Isso não significa que a pergunta vai ficar mais fácil! Será necessário ter bom conhecimento das disciplinas e saber, de verdade, utilizar as fórmulas.

Será preciso estudar datas históricas?
Pela proposta, a ideia não é cobrar conhecimento enciclopédico. Ou seja, os testes não deverão conter pegadinhas sobre anos ou dias de determinados fatos históricos. O que será cobrado do candidato é o conhecimento aprofundado da história, da relação entre os fatos e as implicações do conhecimento do passado no presente.

A prova terá atualidades?
Os vestibulares tradicionais e o próprio Enem antigo costumam cobrar atualidades de maneira contextualizada. Ou seja, as atualidades servem como "gancho" para formular um teste ou para o tema da dissertação. Sempre é bom estar informado, para ter facilidade ao elaborar relações entre conteúdos e construir argumentos em um texto.

O exame terá questões de inglês?
Em 2009, a prova não terá perguntas de língua estrangeira. Para 2010 são previstas perguntas de inglês e espanhol. O MEC ainda não definiu se o candidato poderá fazer a escolha entre um ou outro idioma.

Como as faculdades vão utilizar o novo Enem?
O MEC definiu quatro formas de utilização do novo Enem na seleção de estudantes. São elas:
1- usar o Enem como prova única para a seleção de ingresso;
2- substituir apenas a primeira fase do vestibular pelo Enem;
3- combinar a nota do Enem com a nota do vestibular tradicional. Nesta modalidade, a universidade fica livre para decidir um percentual do Enem que será utilizado na média definitiva;
4- usar o Enem como fase única apenas para as vagas ociosas da universidade.

Terei de escrever de acordo com as novas regras ortográficas?
Não. Segundo o decreto que regulamenta o acordo ortográfico, é possível escrever de acordo com a norma antiga até 2012. Os examinadores terão de aceitar as duas grafias.

Posso me candidatar a quantas faculdades com o novo Enem?
Será permitido que o vestibulando escolha até cinco opções de cursos em instituições de todo o país que aderirem à prova. É permitido escolher diferentes cursos em instituições distintas.

Universidades particulares e estaduais poderão adotar o novo Enem?
Sim. A adoção é aberta para as instituições que tiverem interesse. USP (Universidade de São Paulo) e Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) já informaram que não vão trocar seus vestibulares pelo novo Enem de 2009.

Como será a inscrição para os vestibulares?
O MEC vai criar um sistema na internet para a realização das inscrições. Será um sistema semelhante ao que já é usado no Prouni (Programa Universidade para Todos), que concede bolsas de estudo em universidades particulares. O processo todo será realizado pela internet.

Como sei se minha nota no Enem 2009 é suficiente para conquistar uma vaga?
O MEC informa que a nota mínima para ingresso em cada curso será atualizada diariamente, em tempo real. Assim, o candidato poderá saber se tem pontos suficientes para conquistar a vaga. Se não tiver, poderá modificar sua escolha quantas vezes desejar, até que termine o prazo de opção.

Como o ensino médio muda, depois do novo Enem?
É no ensino médio que os interessados em fazer uma faculdade se preparam. Se o processo seletivo de ingresso nas universidades mudar, as escolas terão de ensinar os estudantes. Assim, por conta de uma mudança na avaliação, o MEC pretende que ocorram mudanças no sistema de ensino.

Se o Enem quer pautar o ensino médio, quem já fez colegial terá mais dificuldade para fazer a prova?
Como a prova não exigirá domínio de conteúdos de memorização, mesmo quem já se formou poderá ter um bom desempenho. Mas a avaliação vai exigir capacidade de relacionar fatos, de aplicar conhecimentos das disciplinas e habilidades de interpretação de texto, gráficos e problemas.

Fonte: www.uol.com.br

segunda-feira, 4 de maio de 2009

SEC discutirá Plano de Educação Profissional no território de Conquista

Nesta quinta-feira (07/05), a Secretaria da Educação do Estado realiza mais um da série de seminários sobre a modalidade de ensino associada ao desenvolvimento sustentável, destacando desta vez as especificidades do território de identidade Vitória da Conquista. A intenção da Superintendência de Educação Profissional do órgão é continuar a discutir as bases do Plano Estadual de Educação Profissional (2008-2011) de forma coletiva, de maneira que este se identifique com os vetores de desenvolvimento de cada região. Deste encontro, participarão as Direc 20, 13, 19 e 24.

O evento será realizado com a participação das empresas que atualmente investem na região, gestores públicos estaduais e municipais, educadores e demais trabalhadores da educação, sindicatos, agricultores familiares, ambientalistas, pais, estudantes, representantes de movimentos sociais e de organizações da sociedade civil. A intenção é colher idéias que possam melhor orientar o Governo do Estado em relação à implantação da educação profissional nas escolas estaduais, com o fim de fazer acontecer a inclusão social pelo trabalho.

Como nos seminários anteriores, serão formados no período da manhã grupos para debater as demandas sociais da educação profissional no território. À tarde, serão apresentados os trabalhos desenvolvidos em grupo e, por uma hora, o superintendente Almerico Biondi apresentará a proposta para implantação da educação profissional no território de Vitória da Conquista. Uma rodada de debates encerrará o encontro.

Fonte: ASCOM - SEC